
Naquela cama, hoje tão vazia,
vejo um passado que me foi sagrado.
Depois de um casamento abençoado,
nela vivi, com meu marido,
momentos de amor e prazer...
Não falo do amor carnal somente,
porque este acaba com o tempo.
Falo do amor sincero, amor amizade,
sentimento que poucos sabem que existe.
Naquela cama, amamentei meu filho
presente de Deus nesta vida!
Quantas noites, ainda pequeno,
ele chorava e era como dissesse:
"-Mamãe, quero colinho,
quero sentir o calor do teu abraço."
Juntos nós três dormíamos
até que o sol entrasse pela janela
e com sua luz a cama iluminava.
Era tão bom aquele tempo
que ao recordar sinto tristeza
pela rapidez com que a vida passa.
Meu bebê, meu tesouro, ficou adulto
e foi embora... Como disse o poeta:
"E de repente, uma mulher bonita, surgindo o rouba
e a velha mãe aflita, ainda se volta para abençoá-los..."
Foi assim que aconteceu comigo...
Naquela cama nós brincamos, os três,
com tanto amor, tanta alegria, tanta,
que hoje ao vê-la, sinto a saudade
explodir no peito e peço a Deus:
Traz de volta o meu passado,
nem que seja só por um instante.
Eu quero ser feliz de novo
e sentir que o mundo é belo.
Quero abraçar o meu filhinho,
pois só com ele em meus braços
pedindo que o abrace um pouquinho
eu sentirei que no meu peito
ainda bate, um velho coração humano...
Jandyra- 16-julho-2.001
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