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Estava num restaurante popular, a espera de uma amiga, para fazermos uma rápida refeição e colocar a conversa em dia. Fiquei observando as pessoas que ali estavam. Um casalzinho trocando juras de amor, num canto mais reservado mas dava pra gente notar o carinho e o amor que os unia. Uma sensação confortável olhar para aquele lado. Um senhor, bastante idoso, reclamava com o garçon que a cerveja não estava gelada como estava acostumado a beber em casa. Como o freguês sempre tem razão, o garçon ficou só escutando os resmungos do velho. Uma mulher, com dois filhos, sentada no outro canto chamou minha atenção. Pediu uma Coca Cola e 3 copos. De dentro da bolsa, tirou um embrulho e abriu em cima da mesa. Era um sanduiche e um pedaço de bolo. Tive a certeza de que haviam ganho em alguma casa onde pediram, pois o papel estava amarrotado e tudo misturado. De repente, o filho mais velho, que devia beirar os 5 anos, começou a cantar o "Parabéns a Você", batendo palmas suavemente e acariciando o menorzinho que estava no colo da mãe. Fiquei emocionada com aquela cena e cheguei mais perto para puxar conversa com a mãe, que estava feliz vendo os dois filhos comendo e bebendo. - Vocês não vão almoçar? perguntei - Não senhora. Nós passamos aqui só para cantar parabéns para meu filho caçula, que hoje completa 2 anos. Ele mal sabe falar mas adora beber Coca Cola e sente muita alegria quando vê alguma festa de aniversário. As vezes a gente passa na rua e naquelas casas luxuosas, tem alguém aniversariando e os dois ficam atentos vendo a criançada brincar e comendo as guloseimas. Mas, o que mais os alegram é a hora do Parabéns a Você, pois podem acompanhar da rua, do lugar onde estamos vendo e ouvindo tudo. Hoje é aniversário do Paulinho e como ganhei este sanduiche e um pedaço de bolo de uma senhora muito boa, que sempre nos dá algo, resolvi passar aqui e fazer o aniversário do meu filho e dar a ele um pouco de alegria, já que não posso fazer festa, não temos dinheiro.......( e a mulher continuou falando e eu nem mais ouvia). As lágrimas teimavam em descer pelo meu rosto e um nó na garganta quase me tirava a respiração. Fiquei triste em ver e sentir a diferença entre os seres humanos, o que alguns até esnobam, outros agarram com as duas mãos e são felizes. Há poucos dias eu tinha ido a um aniversário de criança, onde tudo era do mais alto luxo; doces, salgados, brinquedos para todos, piscina de bolinhas, touro mecânico, carrinhos, totó, etc... Mas eu percebi que não via no semblante daquelas pessoas ricas a alegria que estava vendo nos olhos de Paulinho que estava tendo seu aniversário comemorado só com a mãe e o irmão, num canto de restaurante simples, sem qualquer luxo e ostentação. Fiquei pensando o que faz a alegria no ser humano, o que traz felicidade à alguém. Com certeza não é o dinheiro. Ele ajuda, é claro, mas a felicidade verdadeira, aquela que explode do olhar das pessoas, esta não há dinheiro que pague. Quando minha amiga chegou eu estava sentada à mesa com as crianças, um enorme bolo decorado e com as velinhas para que Paulinho pudesse comemorar seus 2 aninhos de uma forma que jamais esqueceria. Comprei salgados e doces também e ali fizemos nosso lanche, rodeadas por pessoas simples, generosas, bem pobres mas com o coração cheio de ternura e agradecimento por eu ter realizado o maior sonho de seus filhos, em ter um aniversário como viam nas casas chiques por onde passavam. A mãe falava mil palavras de agradecimento e eu nem escutava porque meu coração estava tão feliz para poder escutar. Eu só ouvia o canto do "Parabéns a Você, nesta data querida, muitas felicidades, muito anos de vida...Viva o Paulinho..." Este refrão ficou por muito tempo na minha memória e sempre que vou à uma festa de criança, tudo me volta a mente e eu não consigo segurar as lágrimas. Foi o dia mais feliz de minha vida. Com tão pouco eu pude dar tudo que uma família queria: uma festa de aniversário, com bolo de velas... Jandyra- 12-10-2.001
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impossible_dreams[1].mid